LEãO: uma faca de dois gumes | Kabbalah Centre Portugal

LEãO: uma faca de dois gumes

LEÃO: UMA FACA DE DOIS GUMES

LEãO: uma faca de dois gumes

ASTROLOGia

por Rav Berg.


O mês hebraico de Av, que coincide com a influência de Leão, tem despertado, tradicionalmente, medo no coração dos homens.

Neste período, ao longo da história da humanidade, inúmeras tragédias ocorreram, incluindo a destruição do Primeiro e Segundo Templos, períodos de guerra e desassossego que atravessaram o mundo então conhecido e a que se seguiu a chamada Idade das Trevas.

O que parece esquisito, se não mesmo estranho, é que o mês de Leão se mantém com esta característica única.

Uma vez que a Física do século 20 nos mostrou que o inanimado possui, também, consciência, devemos perguntar-nos qual será o processo de pensamento que induz semelhante atividade negativa.

Antes que possamos chegar a qualquer espécie de causas motivadoras, vamos explorar uma questão: porque é que os planetas se movimentam em torno do sol? Este é um facto indesmentível, observado por todos, apesar de muito poucos se terem atrevido a levantar, sequer, esta questão.

 

No entanto, há mil anos, o famoso kabbalista Shabbatai Donolo, que era também médico e astrónomo, levantou de facto esta questão e chegou à seguinte resposta: a consciência interna do sol é governada pela energia de Yesod, esse pacote de energia e inteligência sefirótica que é o garante  de plenitude e sustento de todo o universo.

A inteligência de Yesod é cabalmente personificada pelo personagem bíblico Joseph, o filho de Jacob, o Patriarca. E, como nos conta a Bíblia, Joseph era o provedor de toda a comida e sustento do mundo inteiro.

Consequentemente, continua Shabbatai Donolo, o provedor de energia e consciência de todo o sistema solar é o Sol e por isso os planetas giram em torno do Sol num movimento contínuo em busca do seu sustento diário; uma resposta tão profunda só poderia ter sido partilhada por um kabbalista e duma forma tão simples que até um leigo a entende. Esta é, na essência, o segredo de todos os ensinamentos kabbalísticos: simples, despidos de complicadas fórmulas e teorias.

Esta é também a razão pela qual o Sol não partilha a sua energia com outras constelações dos signos do zodíaco, como o fazem todos os outros principais planetas, à exceção da Lua. A sua energia é canalizada pelo signo de Leão sem qualquer divisão ou dissipação. Esta foi a razão pela qual o Patriarca Abraão designou Leão como a constelação principal deste mês de Av. Tal como o Leão é o rei da selva, também o signo de Leão e o Sol reinam no Universo.

Com a informação fornecida por Shabbatai Donolo, o mistério do porquê de o mês de Av se apresentar como um mês tão negativo é revelado. Mas o mês de Leão não precisa de ser inevitavelmente um mês negativo. Pelo contrário, as oportunidades para que Av seja, de igual modo, impressionantemente positivo também existem. A questão de como controlar e utilizar positivamente esta enorme dimensão de Luz e energia é de resto o objecto da Kabbalah.

 

Ao mesmo tempo que aumenta a consciência da possibilidade da Lei de Murphy e do Satan prevalecerem sobre a humanidade, a Kabbalah e os seus ensinamentos podem dar-nos igual oportunidade de transformar uma situação potencialmente má em algo com consequências incrivelmente benéficas. Esta era, precisamente, a situação no Egito, quando as águas se transformaram em sangue e os israelitas, com os métodos kabbalísticos, restituíram à água as suas características normais, dando ao corpo todos os seus atributos positivos.

O Zohar dá um passo adiante na clarificação da verdadeira natureza das propriedades do sol, uma área intocada por qualquer ramo das ciências. O escudo protetor originalmente estabelecido pelo nome de Deus, Elokim, no Genesis, algo similar à camada de ozono nos céus, está inoperante durante o mês de Leão. Esta afirmação do Zohar é uma prova avançada de que, em potencial, o mês de Leão pode transformar-se num pesadelo. Este escudo é designado, na terminologia kabbalística, pelo seu nome de código Shechinah, a manifestação da presença de Deus no nosso reino físico.

A designação hebraica deste mês pelo patriarca Abraão como Av deveria constituir uma pista para a sua característica interna. A palavra Av significa pai. Mas então, porque teria Abraão escolhido “pai”como um nome apropriado para este mês de Leão? Shabbatai Donolo já aludiu a esse motivo quando definiu o papel do Sol na galáxia como sendo o provedor ou sustento do universo.

 

Para prover sustento do Universo inteiro é seguramente necessária uma enorme capacidade de alimentar todos os signos do Zodíaco e consequentemente toda a humanidade e este reino físico. O nome “pai” serve inteiramente este desígnio. Daí que as pessoas nascidas sob a influência de Leão  sejam magnânimas, na medida em que são tocadas por esta característica interna do Sol.

Além disso, para criar um cenário e um ambiente em que a capacidade do Sol para a sua monumental tarefa de nutrir o Universo inteiro não pudesse ser diminuída, Elokim, no Genesis, removeu a Shechinah, o instrumento com o qual a capacidade do sol pode ser reduzida.

No entanto, esta enorme vantagem agiu como uma faca de dois gumes. Dada esta situação ideal proporcionada pelo facto de o Sol poder cabalmente exercer o seu papel no esquema celestial, pessoas ou nações menos preparadas para lidar com esta avassaladora energia do Sol vão seguramente reagir de forma negativa a esta carga de energia.  Isto equivale a uma pessoa decidir ir tomar um banho de sol no pico do meio dia sem usar protetor solar.

Não tirar partido da exposição ao Sol pelo medo de ser queimado não é muito diferente de rejeitar utilizar a eletricidade com medo de apanhar um choque. Aprendemos a utilizar a corrente eléctrica em nosso benefício evitando os seus efeitos danosos.

 

E este é precisamente o propósito do Ana Bekoach, as letras hebraicas e outra informação kabbalística adequada, que permitem à humanidade tocar o maravilhoso poder das esferas celestiais. O Sol, Av e Leão dão à humanidade uma incrível oportunidade de instilar o Universo inteiro com energia positiva e, assim, melhorar o estilo de vida e o bem estar dos que experimentam esta influência cósmica.

Nós não somos uma entidade isolada no Universo, nós somos parte integrante de tudo o que existe – uma extensão de sistemas que vão desde a energia que faz com que um átomo se junte com outros para formar uma molécula, até aos biliões de átomos que impulsionam as estrelas e orientam galáxias. Mas estes sistemas de energia física também afetam as nossas vidas, para o bem e para o mal. Estudar estas influências é do que trata a Kabbalah.

O século 21 está pontuado com cada vez mais ameaças de novas guerras, de atividade terrorista, de maus tratos e brutalidade contra crianças, mães que transformam os seus bebés em viciados em drogas ainda no útero, crianças que se revelam assassinos sem remorsos antes  mesmo de chegarem à adolescência. Nestas circunstâncias, cumpre aos homens e mulheres em toda a parte aprender o único sistema de energia pelo qual podem tomar o controlo das suas vidas e alterar este caminho, que só pode levar à extinção da humanidade.

Os kabbalistas sabem como o fazer, porque os kabbalistas sabem o porquê de todas estas coisas más que estão a acontecer. A torrente de caos que se manifesta no nosso universo é o resultado direto das ações negativas desta nossa massa humana, já para não entrar em linha de conta com os resíduos deixados pelas gerações que nos precederam. Estamos, como nunca antes, atolados em negatividade e somente através da Kabbalah pode ser revertida essa torrente negativa, extraindo do caos a ordem e retirando música do ruído.

 

O Zohar previu que um dia, numa época que seria conhecida como a “Era de Aquário, a qual estamos a viver neste momento, a humanidade tomaria o controlo do seu destino enfrentando os profundos mistérios do Cosmos e os muitos problemas que afligem a sociedade.

A meditação e a oração são os elos metafísicos que combinam e ligam Terra e Homem à celestial força da Luz de Deus. A oração é o sistema de comunicação pelo qual o homem alcança o propósito e a intenção inicial da sua existência. O futuro praticante deve ter uma vontade de fazer esse trabalho, estendendo a sua mente, desenvolvendo técnicas de oração e meditação e até aprendendo o alfabeto hebraico, uma vez que as letras são, literalmente, blocos de construção do Universo. Não existe tempo mais apropriado para esta aventura do que este mês de Leão.

 

Boa sorte para esta grande empreendimento

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