Aprofundar a Nossa Sabedoria | Kabbalah Centre Portugal

Aprofundar a Nossa Sabedoria

A Torah diz-nos que no primeiro dia do décimo primeiro mês, o mês de Aquário, Moisés começou a revelar os segredos a que nós chamamos a sabedoria da Kabbalah. Portanto, ao entrarmos no mês de Aquário, ou Shevat, temos a oportunidade de despertar a nossa conexão com o estudo e a compreensão dessa sabedoria.

Os kabalistas ensinam que é importante aprofundar continuamente a nossa compreensão e estudo. Porquê?  Se não nos esforçarmos constantemente por ganhar uma maior compreensão – de nós mesmos e deste mundo – então não seremos capazes de nos conetarmos completamente com a Luz do Criador e, como tal, não seremos capazes de receber as bênçãos que nos estão destinadas.

Para explicar este ponto, o Zohar conta-nos a história de um homem que vivia sozinho no topo de uma montanha, sustentando-se comendo os grãos de trigo que cultivava. Um dia, ele decidiu descer à aldeia e passou por uma casa onde viu pessoas a comer pão. Foi convidado a entrar e perguntou-lhes se podia provar. Depois de comer um pedaço de pão, ele disse: “Wow, isto é muito bom! Como é que o fazem?”  Elas disseram-lhe que começavam com trigo, trituravam-no e transformavam-no em farinha; depois adicionavam água e coziam-no.

Depois o homem foi para a casa seguinte e viu gente a comer bolo e perguntou se podia entrar e prová-lo. Depois de provar o bolo deles, ele disse outra vez: “Wow, isto é muito bom! Como é que o fazem?” Eles explicaram-lhe que começavam com trigo, trituravam-no para fazer farinha, depois adicionavam mel e açúcar, e coziam-no. O homem continuou de casa em casa, provando toda a espécie de pão, bolos e biscoitos. No final da sua viagem, ele disse para si mesmo: “Sabes, eu já como o grão do trigo, que é o que eles usam para fazerem o pão, os bolos e os biscoitos. Tenho tudo o que eles têm, portanto não preciso de aprender a fazer mais nada!”

O Zohar diz acerca deste homem que ele é tolo. Porquê? Porque não sentiu necessidade ou desejo de aprender a expandir os seus grãos de trigo. Ele viveu o resto da sua vida a comer apenas grãos, sem nunca mais provar, de novo, pão, biscoitos ou bolo.  A lição, aqui, é que se não nos esforçarmos consistentemente por expandir a nossa compreensão, então impedimo-nos de receber completamente  toda a Luz e bênçãos de que somos capazes.

Como nos é dito na Torah, Moisés abriu os portões dos segredos no primeiro dia de Aquário. Este mês, portanto, é único na sua oportunidade de revelar segredos acerca de quem realmente somos, e acerca de como o mundo em que vivemos começou, existe e, também, como o aperfeiçoar. Mas tudo isso – o propósito da nossa própria perfeição, o processo da perfeição e aprimoramento deste mundo – só pode acontecer através daqueles que se esforçam consistentemente por aprofundar o seu estudo e entendimento. Precisamos de nos lembrar do homem pateta da história do Zohar, pensando, tal como todos nós, até certo ponto, fazemos, que temos o suficiente. Suficiente informação, sabedoria suficiente. Embora seja possível que sim, que temos sabedoria para as nossas vidas, provavelmente não temos o suficiente para as grandes bênçãos que nos estão destinadas. E é importante o esforço para expandir a nossa compreensão, porque apenas através do acesso a essa sabedoria mais profunda é que podemos receber a grande Luz que está disponível para nós. 

O mês de Aquário oferece-nos a dádiva de reacender a nossa necessidade de aprofundar o nosso estudo. Sem uma expansão constante da nossa busca de sabedoria e compreensão, não seremos capazes de receber a Luz completa e total que nos está destinada. Neste mês, é uma das dádivas únicas disponíveis para nós; os portões estão abertos para aqueles de nós que realmente desejam entender, de formas mais profundas, mais acerca do mundo e nós próprios.

 

Por Michael Berg