Concentre-se nas Centelhas da Bondade | Kabbalah Centre Portugal

Concentre-se nas Centelhas da Bondade

Através da porção de Shemot, podemos começar a despertar a parte da nossa alma necessária para trazer a Redenção Final. A carta número 27 em Beloved of My Soul (Amado da Minha Alma) contém um ponto específico que Rav Brandwein ensina ao meu pai, Rav Berg, acerca deste importante entendimento.



Sabemos que Moisés desejava pôr fim a todo o sofrimento e morte neste mundo, fazendo tudo o que pudesse para ajudar os Israelitas quando estavam na dor da escravatura no Egipto. Então, por que razão, questiona Rav Brandwein, Moisés disse não quando o Criador lhe comunicou que iria ser ele a trazer esse fim de toda a dor e sofrimento? Seguiu-se uma discussão entre Moisés e o Criador durante um semana, durante a qual Moisés não não só não aproveitou a oportunidade como continuou a adiar. Como podemos entender isto?



Moisés cuidava dos Israelitas, mas não da forma que a maioria de nós cuida. Vemos alguém a sofrer e dizemos: “Ajudo-o hoje, apesar de amanhã poder estar novamente a sofrer.” E ficamos bem com isso. Mas Moisés não ficou. Moisés estava num nível completamente diferente. Ele não queria fazer parte de nada que não fosse eterno. Para Moisés, o que quer que ele fizesse tinha de fazer parte da Redenção Eterna. Imagine o quanto essa consciência é diferente de onde a maioria de nós está. A maioria de nós fica feliz se for capaz de resolver um problema a alguém. Mas Moisés, em todos os momentos da sua vida, certificava-se de que qualquer coisa que tocasse era parte da remoção eterna da dor, do sofrimento e da morte.



Assim, com isto, podemos compreender a razão pela qual Moisés fazia a Luz recuar. O que cria um recipiente maior é empurrar a Luz! Se Moisés tivesse aceite que o Criador lhe desse a capacidade de trazer a Redenção aos Israelitas no Egipto naquele ponto, ele teria estado muito limitado no que poderia fazer para ajudar. Embora a maioria de nós ficasse feliz com isso, Moisés não ficou.  Moisés rejeitou a Luz, dizendo: “Quero mais. Quero o poder de fazer mais!” Portanto, toda a semana deste ir e vir  entre Moisés e Criador não era realmente uma discussão em que Moisés diz: “Não o quero fazer, não tenho a certeza de que o possa fazer” , era, ao invés, Moisés a despertar um recipiente maior, forçando a Luz a revelar ainda mais.


O Criador disse então a Moisés que a única forma de despertar a Redenção é através de “Ama o teu próximo como a ti mesmo.” Para que tal acontecesse, o Criador disse a Moisés para tomar Aarão – que é a energia da Coluna da Direita, a energia da Misericórdia – com ele pois que, juntos, eles iriam instilar nos Israelitas este conceito, esta compreensão de “Ama o teu próximo como a ti mesmo.” Esse foi o trabalho que Moisés e Aarão iniciaram: ir junto dos Israelitas e, tal como diz Rav Brandwein,  instigar neles este despertar do amor.


Para que a Redenção ocorra, deve haver um novo nível de amor; esse é o segredo que Rav Brandwein conta a Rav Berg, e que o Criador disse, então, a Moisés e a nós, agora. Mas porquê? Por que razão tem de haver um novo nível de amor? O Midrash pergunta como é que, se os Israelitas estavam no que é chamado de 49ª porta de negatividade, eles mereceram a Redenção Final? O que é que permitiu aos Israelitas serem redimidos, apesar de estarem naquele baixo nível?


Aqui está a resposta e um belo ensinamento. O que permitiu a redenção do Egipto foi o Criador olhar para a parte da alma dos Israelitas, a parte que está em cada pessoa, que nunca fica danificada, mesmo pelas ações negativas da pessoa. E porque o Criador se focou não na pessoa que estava no 49º nível de negatividade, mas na parte da alma dessa pessoa que nunca fica danificada, a parte aperfeiçoada que cada um de nós possui, a Redenção pôde ocorrer. Assim, os kabalistas ensinam-nos que os Israelitas mereceram a redenção do Egito porque o Criador olhou para a parte dentro de todos eles que é perfeita.



Mais importante, para nós, como podemos despertar isso para nós mesmos? A resposta, creio, é muito simples. Sabemos que da forma como uma pessoa se comporta, também a Luz do Criador se comporta com ela, e da mesma forma que nos comportamos com os outros, também a Luz do Criador se comporta connosco. Isto significa que se formos uma pessoa que encontra uma centelha de bondade em alguém quando a vemos fazer algo negativo, então o Criador olhará para nós, e independentemente do que façamos, também Ele se focará apenas na centelha de bondade que há em nós.



Há duas formas de conseguir a Redenção: fazer com que todos sejam perfeitos, o que nunca vai acontecer, ou chegar ao ponto em que o Criador se foca apenas na parte de nós que é perfeita. Como é que isso é feito? Dizendo aos Israelitas, e a nós mesmos, para despertar o amor, o que significa que quando vemos alguém que fez coisas terríveis, dizemos: “Não me importo com todas as coisas terríveis que esta pessoa fez. Estou focado apenas na sua bondade.”



O que significa então amar o outro como a nós mesmos?  Esquecer todas as coisas negativas que a pessoa fez e focar apenas naquela alma perfeita e na bondade dentro dela. Os Israelitas mereceram que a Luz se concentrasse apenas na sua bondade porque eles estavam focados na bondade dos outros. Esse é o segredo da razão por que Rav Brandwein diz ao Rav Berg, e o Criador disse a Moisés e a Aarão, que todos temos que ir e despertar “Ama o próximo como a ti mesmo.”


A Redenção Final virá quando o Criador se focar apenas na centelha de bondade dentro de um número suficiente de pessoas. Como é que isso acontece? Quando um número suficiente de nós também se focar apenas nessa centelha de bondade dentro de todos.

 

Por Michael Berg