DOENÇA E SAÚDE BEM ESTAR | Kabbalah Centre Portugal

DOENÇA E SAÚDE BEM ESTAR

Por Rav Berg

9 de Julho de 2014

DOENÇA E SAÚDE BEM ESTAR

Se todos os medicamentos conhecidos fossem atirados ao mar, seria ótimo para a raça humana mas péssimo para os peixes.
~ Oliver Wendell Holmes, 1809–1894


A “GUERRA” contra a doença

O grande autor de Boston, poeta e médico do século XIX não tinha nada contra os peixes; ele apenas reconheceu, na sua própria profissão, um erro central que persistiu até aos nossos dias. A grande maioria dos medicamentos, assim como as cirurgias alopáticas e as técnicas de radiação, tratam os sintomas e ignoram as causas das doenças.

Mas, antes, certifiquemo-nos de que estamos a soletrar a palavra corretamente. Devia ser “dis-ease”, (“dis”: prefixo de negação de “ease”: alívio, conforto) com um hífen, porque a perda de conforto, no mundo do caos, é exatamente o que está no cerne de tudo, desde a varicela ao cancro. A “dis-ease”, fomentada pelo nosso ponto de vista emocional e pelas nossas convicções inflexíveis, significa literalmente a perturbação do conforto, um distúrbio do estado de espírito repousado, imóvel, que conduz a uma boa saúde. Implica desequilíbrio, falta de ordem, e a existência de condições caóticas, tão omnipresentes no nosso mundo. Reagimos a esta falta de conforto (“dis-ease”) com ainda outra palavra que necessita de um hífen para ser totalmente compreendida. Ficamos aborrecidos (“up-set”), o que significa que experenciamos sensações de coisas não ajustadas (“set”) e, consequentemente, em desordem. Podemos também ficar angustiados, deprimidos, abatidos e desanimados; e todos os termos têm uma utilização em comum: explicam o sintoma, não o problema.

Aí reside a barreira fundamental para a descoberta de soluções para o problema que nos flagela. Somos incapazes ou estamos pouco dispostos a aprofundar as causas principais, preferindo a solução rápida em vez de uma real análise mental ou espiritual. Mesmo os antibióticos, que supostamente deviam, duma vez por todas, condenar à morte todas as doenças infeciosas, têm sido tão excessivamente usados que se tornaram virtualmente impotentes. A Enciclopédia Multimédia  Grolier (1993) conclui que 90 por cento de todos os antibióticos receitados, agora emitidos, são “desnecessários ou inapropriados”.

A medicina alopática moderna tenta curar a doença produzindo uma condição no sistema diferente ou oposta à própria doença. Se tiver febre, os médicos alopáticos dizem para a “matar” com aspirina; se tiver uma indigestão, dizem para a reverter com uma ou duas colheres de antiácido. Resumindo, no que pode ser descrito como o quantum dos distúrbios dos sintomas, tratam os sintomas superficiais, externos, de toda a doença, quer seja física, mental ou sociológica, não prestando qualquer atenção às causas internas e metafísicas. O alívio temporário tornou-se o objetivo principal, numa perspetiva corrupta da ciência da vida. É dada imensa atenção ao “vencer a guerra” contra a doença, mas a “guerra” raramente fala de prevenção.

Ainda assim, mesmo com um histórico que pode ser visto como dúbio num outro campo qualquer, a medicina alopática ainda domina, enquanto que curadores que usam outras abordagens permanecem vistos como trapaceiros e charlatães. Só os médicos, de acordo com a sabedoria convencional, têm o poder de curar o corpo; mas a verdade é esta: nenhum médico alguma vez curou alguém. Quando os cirurgiões ortopédicos arranjam um braço ou uma perna partida, na realidade realizam algum tipo de cura? Claro que não; a cura é um atributo natural do corpo. O médico, que essencialmente atua como mecânico ou, se quisermos, como facilitador, não desempenha qualquer tipo de papel na cura. Os "curadores" de outras disciplinas também pertencem a esta categoria.

 

Há apenas uma força de energia que verdadeiramente cura, e essa é a Luz do Criador. Todas as outras curas consistem numa variedade de mecanismos de apoio que permitem que a desobstruída Luz espiritual cumpra o seu dever, que é procurar e destruir corpos externos e nocivos, e reparar, se necessário, o dano infligido pela escuridão do Oponente. Desde doenças menores como dores nas costas, fadiga, alergias, até sofrimentos tão sérios como o cancro, doenças do coração e SIDA, o fator crítico para a cura é o fluxo de energia da Luz espiritual.

Um corpo doente é um corpo com um baixo nível de Luz. A doença pode ser uma resposta direta a situações de tristeza ou perda na qual, como já vimos, a Shechinah abandona o paciente, deixando-o vulnerável à separação da consciência de Yesod. A Sechinah, como se deve lembrar, é a força metafísica que atua como um ecrã que nos protege do poder direto da Luz do Criador, como é também um meio através do qual fazemos a conexão com a consciência de Yesod – para vaporizar a negatividade. Ao conectarmo-nos com o fluxo da Luz espiritual, qualquer número de aflições da Humanidade pode ser eliminado. O nosso sistema imunitário é a chave para a sua erradicação e a meditação kabalística pode fazer com que tal aconteça.

Por outras palavras, temos a capacidade de nos tornarmos os nossos próprios curadores. Se o permitirmos, a Luz espiritual fluirá através de nós, movendo-se através do nosso corpo e da nossa alma. No entanto, ao mesmo tempo, funcionamos na ilusão de que podemos livremente interferir com o ritmo normal ou com as funções físicas através do pensamento negativo, das drogas ou do abuso do álcool, das panaceias médicas inapropriadas, da alimentação excessiva ou insuficiente, ou de qualquer uma da miríade de outras coisas que fazemos, em detrimento do coração, do fígado, dos rins e de outros órgãos vitais. Essencialmente, temos dois corpos: o primeiro é a construção física que ocupamos aqui, em Malchut. O segundo é o corpo metafísico oculto, ligado à Árvore da Vida. Serve como um interface entre a Árvore do Conhecimento e a Árvore da Vida, onde acontece a única cura efetiva.


VER E ACREDITAR

Antes de examinarmos em particular a disciplina da meditação Kabalista que pertence à cura, vamos primeiro explorar uma técnica de auto cura significativa que podemos incorporar no processo. É a utilização de imagens.

É bem conhecido o efeito placebo em todas as aplicações da medicina. Placebo significa que os benefícios surgem da consciência do paciente, e não tanto de qualquer outra coisa inerente à medicina propriamente dita. A cura que tem resultado de placebos prova, sem qualquer sombra de dúvida, que os pensamentos podem despoletar as capacidades auto curativas do corpo. Através da visão direta, as nossas crenças, desejos e decisão em aumentar a nossa recuperação, são traduzidas para uma cura substantiva. Em resumo, tal como nos podemos iludir na auto cura porque fomos enganados por um placebo, também o podemos fazer deliberadamente, com uma consciência intencional.

Muita pesquisa tem-se focado na conexão entre a atividade mental e o corpo físico, e muita dessa pesquisa indica que a atividade mental participa na cura da doença. Os kabalistas sempre o souberam. Têm estado empenhados no que veio a ser popularmente conhecido como o poder da mente sobre a matéria, mas eles vão mais além do que os cientistas físicos, acerca do mesmo fenómeno. Os kabalistas sugerem que mais do que ser um mero participante no esquema do quantum metafísico, um homem ou uma mulher, utilizando o poder do pensamento, pode determinar a atividade física e metafísica.

Para completar, recorremos às sete Sefirot  representadas esquematicamente na Árvore da Vida (Tikun Hanefesh ou Correção da Alma) desde Chesed até Malchut. Este quantum de energia, também conhecido como Tetragramaton, afeta diretamente partes específicas do corpo através da influência astral.

 

TIKUN HANEFESH

 

DOENÇA E SAÚDE BEM ESTAR

A tríade superior da Árvore, que consiste em KeterChochmah e Binah, representa a força motriz que capacita e dirige os sentidos externos da visão, audição, olfato e gosto. Cada conjunto governa e influencia os dois olhos, as duas orelhas, as duas narinas e a boca. Portanto, a Sefirah abre a porta à cura kabalística de cada parte do corpo.

Para utilizar o poder do Tetragramaton, o praticante tem de meditar na combinação dos nomes sagrados pertinentes para a área física afetada; depois, através da kavanah, dirigir o poder da Luz do Criador; estes nomes não devem ser pronunciados mas, na cura, eles podem ser meditados com segurança e eficácia.

A ideia básica de usar forças astrais para influenciar a vida humana é tão velha como a própria raça humana. Os antigos reconheciam a “magia” da Luz e veneravam o sol, a lua e outros corpos celestes – compreendiam que existiam influências astrais, mas pouco podiam fazer para as utilizar ou dominar. Sabemos agora que o efeito da Luz nas nossas mentes e corpos é menos mágico do que biológico. O poder curador da Luz é assunto de investigação em clínicas e laboratórios, em todo o mundo. Finalmente, a Ciência está a reconhecer algo que os humanos instintivamente sempre souberam: a Luz eleva e energiza; a Luz vaporiza o que a escuridão esconde; a Luz faz-nos sentir bem. A Ciência pode usar a Luz para alterar os nossos relógios biológicos, o humor, os padrões de sono e, possivelmente, até o nosso sistema imunitário. E se a Luz, ao nível da fisicalidade, pode fazer tudo isso, quanto muito maiores são as oportunidades quando a energia espiritual metafísica da Torah é aplicada?

No entanto, antes de nos podermos curar a nós próprios, devemos superar os obstáculos da nossa própria negatividade, dor, tristeza e depressão – a horrível klippah que nos encobre e protege da Luz do Criador que tudo cura.

Atualmente, os cientistas estudam sistematicamente a perda e a tristeza, assim como o seu efeito na saúde física e no sistema imunitário humano. Descobriram que o sistema imunitário das pessoas que sofrem enfraquece. Mas escapa-lhes a razão, assim como o mecanismo. Muitos investigadores atribuem o impacto ao stress, o qual não passa de um rótulo; não é uma descrição adequada. O Zohar atribui a ligação entre o sofrimento e o sistema imunitário à desestruturação da consciência de Yesod — uma desestruturação resultante do facto da perda e da tristeza não poderem coexistir com a Shechinah. E, tal como já foi ditto, é a  Shechinah que canaliza a Luz do Criador para o sistema imunitário. Quanto mais tempo durar essa perturbação, maior é o perigo para o sistema imunitário porque, para funcionar, necessita do alimento que só a Luz do Criador pode fornecer. O sistema imunitário é o instrumento que governa as defesas do organismo contra o cancro e um grupo de doenças infeciosas, mas precisa de ser energizado para trabalhar, e apenas a Luz pode realizar essa função. O Oponente, mestre do caos, sabe exatamente como manter um abismo de escuridão entre nós e a Luz. Ele fá-lo com o stress.

Já há muito que foi reconhecido que o stress é o fator que mais contribui para a doença. O stress abre caminho para as aflições que vão desde o enfarte fatal ao ataque cardíaco  e às úlceras, as quais são cada vez mais relatadas, até em crianças. O stress afeta os padrões de sono, desvia-nos da ação positiva e envolve a nossa vida em ansiedade.

Proativamente, devemos, portanto, derramar as nossas tendências negativas através das técnicas de meditação Kabalística anteriormente referidas. O grau de cura depende totalmente da nossa capacidade de restabelecer a Luz interna até à sua plena revelação, o que pode ser conseguido apenas através da transformação do nosso desejo negativo de receber apenas para nós próprios para uma atitude positiva de partilha. Só então podemos enfrentar qualquer invasor microscópico, empenhado em prejudicar o equilíbrio natural do nosso corpo.

A transformação do nosso desejo inerente de receber por ganância, em um desejo de receber para partilha não tem nada a ver com religião ou mesmo com moralidade e ética. É um assunto de supremo interesse próprio. Sempre que agimos de forma negativa, submetidos à ganância, inveja, ódio e intolerância, estamos, sem dúvida, a interferir com o poder natural de cura nos nossos próprios corpos. Com cada ato ou pensamento negativo, colocamo-nos em risco. Existe apenas uma razão pela qual a nossa sociedade, como um todo, venha a tornar-se uma comunidade de partilha: porque é compensador. A proibição religiosa do “pecado” tem pouco a ver com isso. Sem a mais elevada consciência da Luz espiritual, estamos condenados a viver toda a vida na passadeira cíclica do sucesso-falhanço, ontem-amanhã, saúde-doença.

A única razão para o corpo físico experienciar a dor, o sofrimento, a degeneração, o envelhecimento e a morte é o controlo do Oponente sobre o universo material. Eliminar o Oponente é eliminar todas essas condições debilitantes. Quando permitimos que a Luz espiritual infunda os nossos corpos físicos com a dádiva da força da energia, todos começamos a desfrutar dos benefícios da intenção original do Criador para a Sua Criação: a partilha da Sua beneficência e vida eternas.