A maior bênção de todas | Kabbalah Centre Portugal

A maior bênção de todas

Bussola SpiritualeNo capítulo Ki Tavo nós lemos bastante acerca de bênçãos e de maldições. Enquanto as bênçãos eram concedidas na montanha de Gerizim, as maldições vinham do Monte Ebal. Eu amo esta porção e as lições que traz, que são muitas - mas a questão mais frequente que os alunos colocam é a seguinte: Como é que uma pessoa se pode conectar apenas com as bênçãos e não se com as maldições?

 

Eu costumo dizer queas bênçãos e as maldições são duas faces da mesma moeda. Há sombra e Luz em qualquer situação. Por exemplo, já todos ouvimos falar de alguém que ganhou na lotaria, que supostamente é uma bênção ganhar assim uma fortuna, mas que com essa fortuna vieram muitos problemas. Por outro lado, conheci casos em que um membro da família tem a experiência duma doença grave e isso acaba por se revelar factor de união e força para todos, como nunca tinham experienciado antes.


Como vêem, não existe situação (ou pessoa, por sinal) que é apenas boa ou apenas má. Em tudo há um aspecto Gerizim e um bocado de Ebel. Aquilo com que escolhemos nos conectar depende da nossa consciência.


É por isto que “certeza” é um termo que repetimos muito frequentemente no Kaballah Center. Ter a certeza de que tudo o que experienciamos é para o Bem maior, em ùltima análise para nosso benefício. As dádivas que recebemos na vida, recebemos para usufruir e para compartilhar com outros. Os desafios surgem para nos ensinar, para nos fortalecer e aproximar mais da Luz. Não havia, então nada de “Bom” em ambas as montanhas? Com segurança, podemos chegar a uma conclusão muito bonita: a maior bênção de todas é a capacidade de de ver tudo como uma bênção.


Estamos a apenas duas semanas de Rosh Hashanah e não é coincidência que existe agora uma energia palpável no universo que nos ajuda a ver a mão de Deus em tudo. É maravilhosa a dádiva que recebemos agora nestes dias. Vamos tomar partido deste tempo para olhar para situações da nossa vida que nos parecem sombrias - podem ser desafios actuais ou situações do passado (talvez da nossa infância) - e ver a inspiração duma força divina, um plano maior. Podemos perguntar “onde está a Luz aqui?”, “O que sou suposto fazer?”, “Aprendi aqui?”, “Fiquei ou ainda posso ficar mais forte com isto?”. Se for uma dor que alguém  tenha infligido sobre nós, talvez a questão seja: “Como posso estabelecer limites para que isto não volte a acontecer?” ou “Estou a infligir o mesmo a outra pessoa doutra forma?”


Estes são apenas alguns exemplos, mas ao fazermo-nos este tipo de perguntas esta semana, podemos chegar a um lugar de compreensão: “Sim, esta situação tem sido difícil, mas aprendi e sou melhor por causa dela”.

 

por Karen Berg