O Caminho para a Grandeza | Kabbalah Centre Portugal

O Caminho para a Grandeza

Vimos a este mundo para sermos faróis de Luz, para aprendermos a partilhar com o outro de forma altruísta, e para vivermos com um coração que ama e uma mão que dá. Kabbalah significa “receber”, e no entanto estamos aqui no mundo para dar. Este é o grande paradoxo da vida: para receber, temos de aprender a dar. É aqui que os ensinamentos espirituais da Kabbalah nos ajudam a mostrar um caminho para a nossa realização, até mesmo o caminho para a grandeza. Viemos a este mundo para aprendermos a sermos seres de partilha e aprendermos a desenvolver “gene de Deus” que há em nós.

 

O Criador criou este lindo mundo para nos proporcionar o cenário no qual podemos realizar a nossa missão espiritual nesta vida. Dar, a princípio, pode ser um desafio. Podemos sentir que estamos a perder enquanto damos. Podemos ter medo de, ao dar, ficarmos sem nada. Mas a nossa fonte de bênçãos e de satisfação nunca esteve nas coisas que recebemos. Certamente já todos vimos pessoas que aparentemente têm tudo o que a vida tem a oferecer e continuam infelizes. Ironicamente, o verdadeiro preenchimento provém de cumprir a nossa missão espiritual na nesta vida.

 

É quando nós próprios nos tornamos criadores, que esta transformação nos traz a felicidade que ansiamos. Este paradoxo é o nevoeiro que procuramos transpor durante toda a vida. Muitas figuras marcantes ao longo da história descobriram o poder da partilha e devotaram as suas vidas a ensinar esse segredo.

Esta semana é-nos mostrado o caminho para esta grandeza. A energia inteligente da semana orienta-nos a aprender o caminho para o verdadeiro chamamento dos nossos corações e a tornar-nos uma grande Luz no mundo. São-nos dadas as chaves para recebermos tudo, pois é ao dar que recebemos. É ao serviço da humanidade que cumprimos a nossa missão e, neste processo, sentimos a nossa realização como seres humanos.

Esta semana, o que nos conduz para a energia cósmica é a porção de Tetzaveh. É uma porção bastante rara, na qual não é mencionada em lado algum o nome de Moisés. Uma personagem insubstituível simplesmente desaparece. Como é que uma personagem tão central pode desaparecer assim?

Esta secção da Bíblia surge no mês de Peixes e não é por acaso.  A energia presente neste mês funciona de forma sinergética com a energia celeste do mês e da porção semanal. Tudo foi criado desta forma para ajudar a humanidade na jornada de vida.

 

Moisés era Peixes. Sabe-se que ele se elevou a um estado semi-anjo, semi-homem. Moisés viveu a sua vida com tal compaixão e cuidado, que o Criador o escolheu para ajudar os israelitas - e a todos nós - na nossa viagem espiritual. Moisés viveu uma vida de humildade, serviço e cuidado pelo outro. Deste modo, ele foi capaz de receber tudo.

Moisés conseguiu ter uma ligação com o Criador como nenhum outro humano tivera antes. A certo ponto, no percurso dos israelitas, o Criador quis destruí-los. O Criador sentiu que eram irredimíveis e incapazes de ascender espiritualmente. Mas Moisés interveio. Rezou por eles. Pediu ao Criador: "Mas agora, rogo que perdoeis o pecado deles - mas se não perdoardes, apaga-me do livro que escrevestes". Este livro é, claro, a Torah que transcreve tudo o que aconteceu, incluindo os Dez Pronunciamentos e tudo o que o Criador deu à humanidade, estando Moisés no papel central.

 

Moisés esteve disposto a ser apagado de toda a existência para salvar os israelitas. A Bíblia diz-nos que "não houve outro profeta a erguer-se em Israel como Moisés, a quem o Senhor conhecia face a face". A alma mais alta do mundo cuidou tão profundamente dos outros que esteve disposto a ser completamente apagado. Ele mesmo pediu para ser usado como moeda de troca para salvar os outros e foi bem sucedido. O Criador escutou a Moisés e deu à humanidade outra oportunidade. Adicionalmente o Criador não apagou o nome de Moisés da Bíblia, apenas desta porção de Tetzaveh, que ocorre no mês de Peixes. É nesta porção que nos é dada a graça da força de servir os nosso irmãos. De facto, é dito pelos cabalistas que esta é a porção na qual recebemos a totalidade da grandeza de Moisés para nos guiar na nossa viagem, porque é nesta porção que Moisés se faz tão pequeno. Outro grande paradoxo. O nome de Moisés não aparece nesta porção, porém ele brilha com ainda mais Luz. É no serviço aos outros, no cuidado pela humanidade e no estar disposto a não receber nada em troca que ele foi capaz de se elevar à grandeza.

 

O que significa ser um verdadeiro líder? O que significa ser grande? Como é que temos o nosso nome relembrado por milhares de anos pelas futuras gerações? O que temos de fazer para alcançar a missão da nossa alma e viver uma vida de alegria? Felizmente já existiu um Moisés e não temos de ser ele. Também não temos de nos transformar num anjo. Viemos a este mundo para sermos felizes. Viemos a este mundo para receber, e Moisés mostrou-nos o caminho. O caminho é-nos revelado à nossa frente, é através de humildade e cuidado pelos outros, e não por nós próprios, que abrimos as portas de abundância em todas as formas. É quando nós desejamos servir que nos transformamos em líderes. É quando estamos dispostos a ser pequenos que nos tornamos grandes. É quando damos que recebemos tudo.

 

Nesta semana, nas nossas meditações, acolhamos Moisés nos nossos corações. Quando um ente querido já não se encontra entre nós, ele deixa de estar preso pelas limitações da fisicalidade e por isso é capaz de nos ajudar de uma forma ilimitada, sem obstáculos duma forma que nunca pôde antes. Falem com Moisés esta semana, peçam-lhe que derrame sobre vós as qualidades de amor, cuidado e serviço. Peçam a Moisés peçam que vos guie no caminho para o vosso próprio nível de grandeza. Viemos a este mundo para darmos o mais que pudermos e como é maravilhoso ser assim que acabamos por receber tudo.